Gastronomia

O NuCon e o voluntariado

Segundo uma das definições no dicionário, a palavra voluntário é “substantivo masculino, representando aquele que se dedica a um trabalho sem remuneração, que presta ajuda quando necessário“.

Na linguagem cotidiana, usamos a palavra voluntário associada à vontade, à predisposição das pessoas em fazerem algo sem receber pagamento de qualquer espécie em troca. Existem vários tipos de voluntários, em diversas áreas, para diversos fins.

No que podemos chamar de terceiro setor, que são as associações e entidades sem fins lucrativos, a prática do voluntariado é importante – e podemos dizer até decisiva – para o sucesso de boa parte das atividades práticas, geração e economia de recursos.
Cresci numa família engajada, onde o voluntariado sempre foi uma prática para ajudar na igreja e nas entidades sem fins lucrativos.

Em Piracicaba, assim como em todo o Brasil, a prática do voluntariado é de certa forma um comportamento cultural, mas ainda de uma minoria. Por isso, ainda é comum encontrarmos muitas entidades e projetos que precisam de gente, de mão de obra e, não raro, sofrem sem conseguir toda a ajuda necessária. Amargam dívidas, falta de materiais básicos e já se acostumaram com o constante ‘pedir’.

Com dezenas de instituições carentes de recursos, Piracicaba encontrou há 35 anos uma solução interessante e encantadora para que elas arrecadem recursos: a Festa das Nações. Reunidas, as entidades criam a cada ano um verdadeiro festival gastronômico no qual o público visita os diversos restaurantes montados no mesmo lugar para provar os sabores de vários países. Uma festa temática, com decoração, cenografia, figurino, música e principalmente, muita solidariedade, já que todos os recursos gerados são revertidos integralmente às entidades.

Quem é de Piracicaba ou visita a cidade em maio, já sabe que a tradicional Festa das Nações é uma excelente oportunidade para passear, além do local de sua realização, o Engenho Central, ser uma atração à parte, um antigo engenho de açúcar que hoje abriga os maiores eventos da cidade.

Para termos uma dimensão da força que a festa tem junto às entidades, basta lembrarmos que os valores arrecadados em 5 dias ajudam a cobrir vários meses de despesas delas.

Apesar de sua importância como festa, mobilizando grande público e milhares de pessoas trabalhando, ano a ano as entidades participantes sofrem com a dificuldade para reunir voluntários, especialmente nos horários mais, digamos, atrativos da própria festa, como sexta-feira e sábado a noite.

Uma semana antes da festa, li uma mensagem no Facebook do Espaço Pipa, entidade dedicada ao atendimento de crianças e jovens com síndrome de down, solicitando voluntários. Tive vontade de participar da festa como voluntário e já naquele momento pensei que seria uma experiência importante.

O Espaço Pipa nasceu em 1983. Tem como missão articular ações que promovam a garantia de direitos da pessoa com SD ou deficiência intelectual, visando a plena participação deste público em quaisquer contextos sociais. Atende pessoas com Síndrome de Down ou deficiência intelectual e suas famílias, independente de raça, cor, credo ou condição social, da cidade de Piracicaba/SP e região, bem como a comunidade onde essa população está inserida (creches, escolas, centros comunitários, empresas, entre outros), regendo-se pelo Estatuto, Regimento Interno, pela legislação em vigor, e, especialmente, pela legislação pertinente à pessoa com deficiência.

Em 2011 tive a oportunidade de trabalhar num projeto muito bonito da instituição: a mudança de seu nome e a redefinição de seu logotipo e identidade corporativa. Na época, era presidida por Fabiane Gomes de Oliveira e tinha grandes desafios. De lá, ganhei amigos.

Hoje, o maior deles ainda continua: equalizar as contas mensais. Mas um grande feito mudou de forma significativa os trabalhos da entidade: sua nova sede.

Conhecendo este histórico, feito por grandes pessoas, diretores, funcionários, colaboradores e parceiros, senti alegria por contribuir novamente com tudo aquilo. De forma pontual, mas que somada pode trazer bons resultados. É um pedacinho de cada um, um gesto muitas vezes gentil que faz muita diferença.

Como presidente do Nucon – Núcleo Jovem de Conteúdo do Interior, comentei com os membros e convidei-os a me acompanharem. Fiz o convite, já que uma das ações do grupo é o desenvolvimento de ações sociais. Os membros Marcos Silva, Aline Bossi e Gustavo Petrin aceitaram a ideia e no sábado, 20h, estávamos lá, no Engenho Central.

Botar a mão na massa, tirar chopp, atender as mesas, limpar o espaço e outras atividades faziam muito sentido naquele momento. E nosso trabalho trouxe o resultado imediatamente.

Além de uma imensa satisfação, um gesto voluntário é uma forma de reflexão sobre nosso papel na sociedade, nossa responsabilidade como pessoas e profissionais. Tem muita gente que apoia diversas iniciativas pequenas, médias ou grandes e muitas vezes sequer divulga. Não importa o tamanho de sua contribuição, mas o nível de envolvimento do seu coração. Coloque sua emoção e competência na bandeja, distribua sua energia máxima na atividade voluntária e como nós, sinta que pode dar mais. Que ainda é pouco. Que sim, você vai transformar outras vidas. Isso começa pequeno, mas pode e deve aumentar. Vai aumentar, porque no fundo não queremos divulgar, queremos fazer. E assim, sem utopias, acredite, o mundo vai melhorar.

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